
Este caso teve o seu início em Agosto de 2005 e continua hoje a ser acompanhado. A pedido da Rita, observei uma amiga sua, M, que estava naquele momento em sua casa. M tinha na altura 51 anos, vivia a alguns quilómetros de distância, encontrava-se muito ansiosa, nervosa, psicologicamente instável com alterações de humor variando entre apatia, estabilidade, choro e depressão. Tinha dificuldade em encarar os outros e a vida, o que dificultava a sua actividade profissional, manifestava medos descontrolados e insegurança afirmado regularmente que precisava de se “estabilizar e criar raízes, voltar à terra”, nas suas próprias palavras “… I need to be grounded”. Paralelamente a este quadro, tinha peso a mais (encontrava-se em dieta ocasional alternada com uma alimentação completamente errada), problemas de estômago, dores e sensações “estranhas” na cabeça, diarreia, insónia, tremia constantemente, procurava o isolamento e tinha ataques de pânico. Este quadro afectava a sua vida familiar e profissional, por vezes de forma extrema. O pulso indicou um quadro complicado, com os meridianos do Coração, Fígado, Baço, Triplo Aquecedor e Rim afectados, indicando a posição do fígado uma estagnação da energia do mesmo, além de uma manifestação Qi rebelde do Baço. Na altura a Rita perguntou-me se eu não lhe podia “espetar uma agulha”, ficando então o tratamento marcado para o dia seguinte.
No dia seguinte de manhã, em casa da Rita, M apresentava-se muito nervosa e inquieta, alternando entre momentos em que encarava bem o tratamento com outros em que queria chorar, enquanto ia dizendo que só queria ser normal. Após conversar um pouco o tratamento com acupunctura foi iniciado, tendo nesta primeira sessão optado por usar o mínimo de pontos possíveis face ao estado da paciente. Entre outros, foi usado o shemnen devido à sua principal acção de acalmar a Mente (o Coração, na Medicina Chinesa, é considerado a residência da Mente, estando relacionado com a consciência, capacidade mental, e estados emocionais), o P11 e o BP4, os quais, combinados com os outros pontos no protocolo permitiriam obter resultados visíveis já com este primeiro tratamento. Após esta sessão a paciente adormeceu no sofá.
Quatro dias depois foi feito novo tratamento, tendo M relatado que se sentia melhor, menos ansiosa, com melhor sono. Indicou também que desde o tratamento não tinha tido mais diarreia e o seu estômago estava melhor, além disso já tinha ido passear na praia, estava mais calma, mas sentia-se deprimida de manhã. No espaço de uma semana foram feitos mais três tratamentos variando os pontos conforme o diagnóstico e a evolução da paciente.
Voltei a ver M dois meses depois, relatou-me que se sentia melhor e mais forte, confiante, encarava melhor os medos e sentia-se mais activa. A sua alimentação tinha melhorado, dormia bem, estava a fazer Tai Chi e Yoga uma vez por semana e tinha voltado à actividade profissionalmente. Nesta altura foram feitos mais dois tratamentos em dias consecutivos.
Reavaliada dois meses depois, M tinha perdido bastante peso, encontrava-se profissionalmente muito activa e envolvida na sua profissão, tendo regressado ao trabalho em pleno. Além disso participava em actividades de grupo no seu tempo livre, ligadas ou não à sua profissão, estava mais segura de si, confiante, com um discurso lógico. Nessa altura fiquei bastante contente de a ver, pois estava muito diferente da pessoa que tinha conhecido meses antes em casa da Rita. Hoje em dia continua a ter tratamentos de manutenção (normalmente um sempre que me desloco à sua zona de residência), e continua bem e a encarar a sua vida com uma atitude positiva.
Este caso deu-me confiança e experiência para situações futuras semelhantes, além de me ter deixado muito satisfeito por ter ajudado alguém que tinha batido no fundo e se encontrava numa situação desesperante, aparentemente sem solução. A única coisa usada neste caso foi acupunctura regular e uma alteração na alimentação, e isso apenas, permitiu obter um excelente resultado.
Quero terminar este report agradecendo à Rita por me ter incentivado a aceitar este caso e ter acreditado em mim (mesmo quando eu próprio não estava muito convencido), e a M por ter acreditado que eu a poderia ajudar e por ter continuado a lutar por si própria para sair da situação em que se encontrava.