A, jovem de 20 anos, sexo feminino, estudante. Queixava-se há mais de um ano de insónias, sem motivo aparente, visto que tinha um estilo de vida saudável, praticava desporto regularmente, não fumava nem bebia álcool. Custava-lhe adormecer, acordava durante a noite, e ao despertar encontrava-se cansada. Além disso apresentava olheiras escuras, por vezes fundas, demonstrava cansaço ao longo do dia, tinha zumbidos nos ouvidos. O seu pulso fino indicava um défice do Yin do Rim, confirmado pelo diagnóstico da língua e estava de acordo também com as informações recolhidas.O tratamento foi feito de maneira informal num apartamento após se ter combinado a sessão. A, estava um pouco relutante em relação às agulhas, mas finalmente (após confirmação de uma amiga sua de que funcionava) decidiu fazer acupunctura. IG4, F3 e R6 foram alguns dos pontos usados, procurando tonificar o Yin do Rim, mover o Qi estagnado e C7 foi usado também para pacificar a mente e ordenar o pensamento. Após o tratamento A. ainda foi fazer desporto. No dia seguinte tinha combinado encontrar-se com a sua amiga às 10.00 e esta, ao ver que estava atrasada tentou ligar-lhe várias vezes sem resultado, até que ficou preocupada. Por volta das 16.00 A. ligou finalmente de volta, relatando que tinha adormecido sem problemas, tinha dormido a noite toda e só tinha acordado às 15.00. Desde então nunca mais teve insónias, e ao fim de pouco tempo demonstrava mais energia e vigor ao longo do dia e nas suas actividades diárias.
O tratamento foi bastante simples e durou cerca de 30 a 35 minutos. Foi usado apenas acupunctura regular, estando, também, programado acupunctura auricular para outras sessões que não coincidissem com dias de treino desportivo. O programa seria um total de 5 sessões e posterior reavaliação, no entanto acabou por não ser necessário.
O resultado foi surpreendente, pela rapidez e pela duração dos efeitos até aos dias de hoje com uma única sessão. A tem uma vida activa e neste momento pode aproveitar ao máximo os seus dias sem o cansaço e desgaste que apresentava diariamente, e sem os efeitos secundários de medicamentos que já tinha tomado sem que isso a tivesse ajudado.





Este caso foi bastante interessante, passou-se quando eu estava a viver em Lagos, mais propriamente nos Montinhos da Luz, no Verão de 2005, Nessa altura todos os dias eu acordava e ia até casa da Rita ver como ela estava (tinha-me pregado um susto brutal uns tempos antes, mas isso é para contar noutra altura) e estudar um pouco dos livros de acupunctura do Mike. Um dia a Rita chamou-me para atender o seu telefone fixo, era uma chamada de um senhor inglês (Mr. P.) com 80 anos que vivia ali perto, recomendado por um médico alemão da zona, que se queixava de uma dor intensa na cara, custando-lhe comer, baixar-se e tocar na cara. Na manhã seguinte, na residência do paciente, foi feito um diagnóstico, o senhor queixava-se de dores constantes, tomava "pain killers" mas não o ajudavam muito, e não conseguia dormir devido ao incómodo. A dor durava já algum tempo e recentemente tinha-se tornado mais intensa, ao ponto do médico o ter enviado para a acupunctura ou então, ter que fazer uma cirurgia para aliviar "um nervo que poderia estar a tocar noutro...". Claro que o paciente em questão não estava muito interessado em cirurgias, mas a dor nestes casos torna-se tão forte que há pessoas que recorrem ao suicídio, e ele pretendia algum alívio. Mr. P. não se queixava de mais nada, o seu pulso indicava uma estagnação de Qi, sendo o meridiano do Fígado o mais afectado. Em termos médicos, estes sintomas e o diagnóstico feito pelos 5 elementos normalmente indicam uma nevralgia do trigémeo, um nervo que passa na cara e cabeça.
