Sunday, August 12, 2007

OMBRO JUDOCA


Março de 2006, Campeonato Distrital de Judo de Lisboa. Um judoca, D., também conhecido pelos amigos como “Belzebu”, ao participar num combate desloca o ombro esquerdo durante um combate, retirando-o da prova imediatamente, tendo a redução da luxação sido feita na hora. Não conseguia mexer o ombro e tinha dores mesmo quando parado. Isto é considerado um Bi sindrome na Medicina Chinesa, agudo e que quando tratado com brevidade e correctamente possibilita uma recuperação mais rápida e quase total. Logo na bancada foram inseridas agulhas em pontos locais, IG15, ID10, e também, IG4, entre outros. As agulhas foram deixadas durante 20 minutos, após os quais ao serem retiradas, D. Indicava que a dor tinha diminuído e a mobilidade do braço aumentado ligeiramente, apesar de muito limitado ainda e com dores sempre que tentava movimentar o braço. Apesar do seu receio e de uma experiência anterior no mesmo ombro (já tinha saído antes há uns anos), não teve dores nenhumas durante a noite, e no dia seguinte tinha já alguma mobilidade, apesar de limitada. Dois dias depois foi feita uma sessão com electro-acupunctura usando pontos locais e distais durante cerca de 20 minutos, foi depois inserida uma agulha pelo método Wan Huai Zhen, tapada com uma ligadura e deixada até ao dia seguinte, com a instrução para movimentar o ombro nos ângulos possíveis. D, mostrou melhorias significativas e seguiu-se outro tratamento no dia seguinte à tarde, também com electro-acupunctura, Acupunctura Wan Huai Zhen, moxa local e foram deixadas agulhas na orelha do mesmo lado da lesão, nos pontos shoulder, shoulder joint, shenmen. No dia seguinte D. apareceu de kimono no ginásio, fez um treino ligeiro com o braço atado à cintura para impedir qualquer movimento mais brusco. No fim do treino foi inserida uma agulha no braço que foi deixada durante a noite. Após estas 4 sessões D. recuperou a mobilidade quase total, e ao fim de pouco mais de uma semana de se ter lesionado treinava já, embora com limitações. Ao fim de 2 semanas fazia um treino normal, apesar de escolher os seus parceiros de treino e de continuar a proteger o braço que tinha lesionado.

Alguns pontos importantes são de destacar neste caso. O facto de D. ser uma pessoa saudável, fazer exercício físico regular, ter uma alimentação correcta, não beber álcool e não fumar, ajudou muito o tratamento, visto o seu organismo ter reagido de forma bastante positiva, tendo-me surpreendido na capacidade e tempo de recuperação. Vale sempre a pena ter uma vida saudável! Por outro lado, com poucas sessões e sem ter que recorrer ao habitual largo número de sessões de fisioterapia, obtiveram-se os resultado pretendidos, e num espaço de tempo muito curto em relação ao “normal” quando usadas outras formas de recuperação convencionais. Se D. fosse um atleta de alta competição, o seu treino sofreria apenas uma pequena interrupção (com todas as vantagens físicas e psicológicas inerentes) e poderia competir em pouco tempo se necessário. Até hoje D. mantém-se a treinar diariamente, sem se ter voltado a queixar do ombro.